quinta-feira, 17 de maio de 2012

Síndrome Pós-Queima

    Há algo no espírito "pós-Queima" que se repete: a sensação de solidão, de que algo falta nas nossas vidas.
Então, quando tal é acompanhado pela constatação de que "o mundo todo" (bem-vindos ao mundo do exagero, eu bem tenho noção disso, mas, para mim "o meu mundo" é o que compreende as pessoas com quem convivo) se encontra numa relação ou em vias de tal ou então vai ter crias (roubando a expressão a um conhecido meu), este estado de espírito aumenta em dez ou cem vezes.
    Claro que poderia ajudar saber que tenho os meus amigos aqui ao pé de mim, mas nem isso. Pessoas que valorizo não me valorizam ou, pelo menos, não querem saber quando realmente preciso delas. Não se preocupam o suficiente para terem o mínimo de discernimento para não me ligarem a perguntar por uma outra pessoa, quando sabem perfeitamente que estou numa situação de saúde complicada ou passiva de o ser. Ou, ainda para mais, ligarem nesse momento quando, supostamente, eu iria ter que esperar (sozinha) pelos devidos meios de transporte.
    Amigos? Coiso. Valham-me os vernizes. O que tem a ver? À primeira vista, nada, mas são eles que me têm ocupado o tempo. E agradeço-lhes muito esse facto.
    Over and out, que esta vida de explicadora não tem nada de interessante a não ser mesmo o convívio com as crianças e alguns colegas de trabalho.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Estou numa viagem. Não uma viagem no sentido literal e físico.
Numa viagem de alma.
A minha alma viajou tanto nestes últimos dias, tanto nestes últimos 3 meses. Tanto neste último ano, que duvido que alguma vez esta viagem pare.

Não, jamais parará. No dia em que parar, significa que cheguei ao ponto de estagnação a que quem desiste se resigna.
Esta viagem ficou marcada com novas amizades, outras foram findadas; pelo fim de uma vida académica e início da verdadeira vida de adulto que, cada vez mais, tentamos evitar, em vão. Não é obrigatório crescer, é obrigatório avançar na vida. Ficar sempre inocente e criança em alma não implica que fiquemos estagnados.
Sei que magoei pessoas neste percurso e também fui magoada.
Seria mesmo necessário? Não sei, é impossível voltar atrás no tempo. Se gostava de voltar atrás no tempo? Sim e não. Sim, porque há coisas que fiz que poderia ter feito melhor. Não, porque alterando algo no passado, pode-se alterar tudo, mas mesmo tudo. E há pessoas, momentos, memórias que jamais quereria perder. E, com os erros, aprendi.
Apenas sinto um grande pedido de desculpas a uma pessoa. Também, foi num passado ainda muito próximo para me distanciar e pensar sem sentir.
Desculpa. Não queria que assim fosse. Mas, teve que ser. Não conseguia se fosse de outra forma.
Sei que no que te diz respeito, já ultrapassaste. Ainda bem, a sério, ainda bem. Também foi devido a isso que tomei a decisão que tomei, que tive as atitudes que tive. Espero que me detestes. Espero que me odeies. É mesmo isso que quero. Porque é o melhor para ti.

Desculpa. Mas, um dia, também vou ultrapassar isto. Sei que vou. Tomei a minha decisão na altura em que fiz o que fiz. Sabia que me ia doer muito. Mas, prolongar o que já não tem cura era simplesmente impensável. Não me enganava apenas a mim, como a ti também. A dor que sentia cada vez que te via. A dor que sentia cada vez que me sentia assim porque sim, porque as expectativas não correspondiam em nada e me sentia invisível. Era um duplo engano: a ti e a mim.
Desculpa.