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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Tenho um caderno. Ele é um pouco ameninado, um pouco infantil demais, um pouco exagerado na fofura e doçura que emana.
O caderno onde escrevo pequenos rabiscos que me são queridos. Não todos os rabiscos que assim mo são. Apenas alguns, os mais selectos, os mais íntimos, os mais preciosos. Uns acordes perdidos, umas palavras sentidas e pouco mais.
Sempre me senti, assim, atraída pelo mundo dos meus pensamentos e ente só, do que por um mundo de extroversão onde mostro o que penso e faço mais intimamente. Não, não poderia deixar que alguém o descobrisse e pudesse alguma vez ter a oportunidade para mos arruinar ou destruir. Jamais conseguiria superar o vexame disso. Jamais conseguiria ultrapassar tal humilhação, tal desamparo.
Esse caderno, apenas esse caderno os conhece.

sábado, 4 de julho de 2009

Um pequeno excerto do meu mundo

Porque às tantas ficam a pensar que o vírus da má-língua me atingiu também a mim, eis que me deixo levar para mim mesma. Até ao meu mais ínfimo pedaço de ser, longe do exterior.
Não me sinto enervada, nem exteriormente nem aqui no interior, apenas determinada a seguir o que sinto. Sabem a sensação de se viver ao sabor dos outros? Onde não se concorda com os outros necessariamente, mas que, mesmo assim, eles nos guiam contra a vontade? Acabou, agora apenas se senta a minha figura no meio do campo, onde ninguém está a poluir as nuvens de pensamentos e o horizonte de ideias com projectos malvindos e estatísticas negativas. Se falhar, todos nós o fazemos, senão, não viveríamos a vida (esta não é só o bom, mas o mau também).
A relva transpira de emoções que se viram recalcadas e agora podem ser expressadas. A pureza dos sonhos nos riachos contidos contamina-me de serenidade e contentamento. Nunca se imaginaria que sermos livres traria tanta leveza ao nosso meio que estava cinza das acções dos outros e auto-destruição consequente.
Poderei descuidar-me durante o percurso pelos canteiros à beira mar (este campo está perto da praia) e tropeçar num resíduo cá deixado e prosseguirei com o passei; posso mesmo deitar um papel para o mar, mas saberei responder perante tal minha acção.
As decisões são minhas e as acarreto tal como as tomo, mas não vivo a vida de mais ninguém, afinal os meus gostos para sapatos são muito rígidos e limitados e é absolutamente contra meu parecer usar os dos outros (de germes bastam os meus que já são uma vasta imensidão). Isto não quer dizer que não ouça os restantes, mas sim que sou eu quem decide.

sábado, 21 de março de 2009

Tempo e Alma

Um dia acordei e vi que estava uma chuvinha miudinha, aquele tempo que muito amo.
Abri o guarda-chuva transparente e fui socializar para o relvado verde com as gotas de chuvinha.
Porém, os raios do Sol começaram a espreitar e as nuvens a dissipar.
Mas ele deixou continuar a chover, e no céu apareceu um grande arco-íris.
Tinha as mil e uma cores das emoções e demorou a desaparecer.
Quando voltei a casa olhei para a minha cama.
Vi que estava a dormir.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Palavras


Algumas palavras, algumas palavras é o que necessito para cessar, para continuar.

Minhas, tuas, ditas por alguém e ninguém em particular.
Se fosse tão simples... mas ninguém diz as palavras mágicas, nem mesmo eu, por covardia, desinteresse, algo que não se consegue explicar, mas não se deixa de sentir.
Não são românticas, não são plácidas, nem crudes nem tumultuosas; são apenas palavras, às quais nós é que atribuímos esses sentimentos, pelo menos assim o dizem.
Se assim o creio, não sei. Mas posso senti-lo, decerto. Podemos senti-lo, aqui dentro, de diversas formas.
Já disse que somos mais que um, uma, todos nós.
Apenas palavras, palavras para algo.

A Sophia, a escritora.
(com as suas palavras límpidas e construção deliciosa)

sábado, 11 de outubro de 2008

Fancy Lala

Há animes que me tocam pela história, outros pelos gráficos e desenho, outros pela sua música.
Ora, o Fancy Lala é um dos últimos.
Sempre gostei da música final, mesmo sem saber a tradução da música. Agora que a sei - obrigada Youtube e simpáticas pessoas que se dão ao trabalho de traduzirem letras de japonês para inglês - posso dizer que ainda a adoro mais, que vou guardar a sua letra traduzida em inglês e me irei senti-la sempre que a ler ou ouvir.

Faz-me lembrar que não quero crescer, embora falte, hoje, um ano para passar a outra década da minha vida e não querer ter crescido ontem e também que sonho acordada e de como sou relativamente a algumas situações.

Esta é apenas a tradução para inglês:

"Always dreaming, always dreaming,
Of a future me, a little more adult
I sing a melody into the spring wind
I am sure, I am sure it will reach you

I have a strange feeling
I feel restless and the weather's nice too
I rush on my bicicle
The city shines brightly today

Some things that I don't like
Don't bother me much
But when my hair's right in the morning
That's all it takes to make me feel great

I want to go after the things I love
Even when one day when I'm a busy adult
I want to hold my cherished feelings close to my heart
As I keep walking forward"


From the "Always dreaming, always dreaming" Alice in Neverland


domingo, 13 de julho de 2008

Sonhos Passados ou Outra Forma de Sonhar

Há quanto tempo estás desaparecido? Perdi a noção da eternidade efémera que se passou desde que trocámos palavras com sentido e significado. Foi há pouco tempo, mas parece-me que já se passou demasiado, demasiado para tal se suceder outra vez.

Será que foi da mágoa que senti, ou realmente tu mudaste, tornaste-te no que provavelmente antes eras. Não, não estou a dizer que tal seja necessariamente mau. Não, de todo. Apenas não te reconheço.... mas alguma vez te reconheci, nem uqe fosse um pequeno pouquinho? Não creio.

Decerto foram só ilusões que criei no meu imo, na minha mente, para crer em contos de fadas, mesmo que estes nunca venham a acontecer comigo....

Mesmo depois da desilusão, ainda creio nestes contos de encantar, embora de diferente modo, já não procuro alguém, só sonho, ingenuamente, e vivo ao máximo esses sonhos, para ofuscar a tão crua e magoada realidade. Já não sou a princesa que encontra o seu príncipe, mas acredito que haja princesas que realmente os encontram, mesmo ultrapassando as mais variadas confusões e desafios.

Brinco com a minha mente e vivo desta forma. É um estilo de vida um pouco simples demais, para quem consegue realmente que os seus contos se concretizem, mas não me importo. Nada.

De certa forma não me importo de viver assim, apesar de desejar que tais histórias se realizem.... talvez tenha mentido, talvez ainda sonhe um pouco com o príncipe.... mas, de forma diferente, uma vez que muito do meu tempo é dispensado para os sonhos que sei serem totalmente irreais e sobre os quais não recai nenhuma das minhas esperanças - as personagens não existem, os sítios onde habitam também não.... mas, num contexto diferente, podiam ser outras, mas não penso muito nisso, o ficcional já me ocupa muito tempo....


Se algum dia quiseres voltar, volta;
Não te prometo é que seja a mesma menina
aquela que dizias ser sonhadora e inteligente, sui generis
aquela que pensava que eras.... que o eras.