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domingo, 4 de outubro de 2009

Outono

Eis que posso dizer, pela primeira vez em muito tempo: chegou o Outono!
Não está frio mesmo frio, apenas ameno, com uma chuva suave e certinha (que tanto me agrada, para poder andar de guarda-chuva e conseguir, de facto, abrigar-me).
A chegada do Outono é um dos meus momentos no ano. Não apenas porque nasci neste, mesmo que não o tivesse esta permaneceria a minha estação. Enche-me a alma a sua solidão amigável contida na chuva mansa e clima ameno que afasta as multidões da rua e me deixa pensar mantendo um calor confortável para não congelar nem sufocar. A beleza das cores que embora se manifestem sob a morte de elementos naturais (estes não deixam de conter uma certa promessa de que voltarão a viver). A melodia da chuva em sintonia com o meu coração e o meu respirar.
Como o único amigo que sempre tive e ao qual sou igual.
Mal posso esperar para poder sair à rua, debaixo de um guarda-chuva e da gabardina, deambulando por sítios incertos sem destino definido. Apenas pensando. Apenas conversando sem vós contigo. Em simbiose constante. Ninguém nos importuna nem parece sequer perto de pensar que amizade contigo travo e mantenho.
Eles preferem o Verão ou a Primavera. Não compreendem a tua personalidade. A tua verdadeira alma. Será que é da imprevisibilidade? Só sei que sou igual a ti. Sou uma típica "de Outono", já o meu mês te reflecte, Outubro, Outono, Outubro.
Sou tua e sempre serei, Outono, minha Estação da Alma.


Ai que bom ouvir a chuva Outonal!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Alana

Ontem comprei um livro novo. Alana a Bailarina da Água. É de Alice Cardoso, com ilustrações de Sandra Serra.
Alana é uma ninfa que, com a sua ânsia de pretender executar tudo rápido e bem, nada consegue, para além de valentes trambolhões. Todas as outras ninfas conseguem ser excelentes bailarinas, menos Alana. E o bailado da "Noite da Grande Festa" está a aproximar-se.... que acontecerá?

E tudo começou com a nossa necessidade de materiais - nomeadamente histórias - para estágio. E acabou na história tão simplesmente fantasiada e no entanto tão verdadeira em conteúdos que me levou a comprar o livro. Desde pequena que não compro um livro do género.
Agora quero o resto da colecção.

Óbvio será que aconselho vivamente esta obra, para crianças e adultos (embora tenha a extensão e aparência de uma história infantil). E as ilustrações são algo de cativante.





Só faltava a Alice virar Alana in Neverland .... mas tal ainda está longe, creio!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Quando o tempo é pouco e a imaginação demais

Às vezes, creio ser um bichinho que anda por aí. Anormal. Por muito que olhe e deambule pelos corredores, não vejo ninguém da minha espécie. Quando até acho alguém de outra espécie interessante, esse ser é que me despreza.
Fecho os olhos e acordo num mundo paralelo onde baixo é cima e o tecto, chão. Todos me miram como se fosse algo muito apelativo; quando tento aproximar-me deles, não lhes posso tocar, como fantasma fosse.
Será por tal que me miram? Será que eles é que são os fantasmas? Mas, se assim for, nada me impede de socializar com eles, o que nos difere é a nossa matéria, nada mais.
As minha palavras não se ouvem. Mexem os lábios, não consigo escutar.
Ao menos, no meu mundo original, poderia comunicar, aqui não, nem sentir a sua frieza ou calor. Estou só. Sinto-me só.
Choro, até enlamear o solo terroso. Escorrego. Caí. Eles riem-se. Decido-me. Sujo-me toda, mas lá me consigo levantar e sair de lá o mais rapidamente possível.
Cheguei a lado algum em específico, que algum local será.
Uma pequena floresta. Um raio de sol que perfura a escuridão arbórea.
Quedo-me de joelhos. Quero ir para o meu canto, para os meus corredores de solidão, mas com sensações.
Nada se sucede. Deixo as minhas costas caírem a toda a força.
Eis que me encontro no chão, estendida.
Há pessoas à volta.
Desmaiei, dizem.

Daqui a pouco volta ao que era antes.




sábado, 21 de março de 2009

Tempo e Alma

Um dia acordei e vi que estava uma chuvinha miudinha, aquele tempo que muito amo.
Abri o guarda-chuva transparente e fui socializar para o relvado verde com as gotas de chuvinha.
Porém, os raios do Sol começaram a espreitar e as nuvens a dissipar.
Mas ele deixou continuar a chover, e no céu apareceu um grande arco-íris.
Tinha as mil e uma cores das emoções e demorou a desaparecer.
Quando voltei a casa olhei para a minha cama.
Vi que estava a dormir.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Palavras


Algumas palavras, algumas palavras é o que necessito para cessar, para continuar.

Minhas, tuas, ditas por alguém e ninguém em particular.
Se fosse tão simples... mas ninguém diz as palavras mágicas, nem mesmo eu, por covardia, desinteresse, algo que não se consegue explicar, mas não se deixa de sentir.
Não são românticas, não são plácidas, nem crudes nem tumultuosas; são apenas palavras, às quais nós é que atribuímos esses sentimentos, pelo menos assim o dizem.
Se assim o creio, não sei. Mas posso senti-lo, decerto. Podemos senti-lo, aqui dentro, de diversas formas.
Já disse que somos mais que um, uma, todos nós.
Apenas palavras, palavras para algo.

A Sophia, a escritora.
(com as suas palavras límpidas e construção deliciosa)

sábado, 27 de dezembro de 2008

Meu Rebento

Se um dia olhares para o céu e não me vires, sorri, porque já me misturei com as estrelas, as nuvens e, principalmente, com a Lua. Não chores, não fiques triste, não estagnes, porque tal também não o farei eu.

Não te prendas a bens materiais, mas não os deites fora se não sentires essa necessidade - sabes tão bem quanto eu que poderão ser úteis num futuro -, mas não te prendas aos bens materiais pelo que são, apenas pelo que sentes por estes. Aquela folha escrita por mim poderá ser o teu bem mais valioso, mais valioso do que o teu bem mais dispendioso, afinal, ninguém compra os sentimentos, mas já o é possível os bens mais economicamente caros do mundo.

Poderás esquecer-te do que fui, mas nunca do que não fui. Não pretendo ser mais do que em momento algum poderei ter sido, tem cuidado para a tua memória não te trair.... as memórias que esta contém tendem a ser deturpadas quando pretendemos polvilhar alguém, algo, com pozinhos de perlimpimpim que a tornam perfeita.... nunca pretendi sê-lo, Anjo.

Não prometerei ser teu Anjo-da-Guarda, mas que sempre estarei contigo, nas Memórias das quais já falei, na minha essência e não como elas me poderão pintar, pois foram as minhas acções no passado que te marcaram nesse tempo e agora, por muito pintadas que poderão estar, o que fiz nesses tempos é que importa, os factos, não como os lês e contas, mas como estes te ficaram escritos. Meu Anjo, estive contigo, estou contigo e estarei contigo.




Por Alice in Neverland. 27.12.08

terça-feira, 15 de julho de 2008

Contos I - sem título

"Imagina que estás num belo campo - e que não tens qualquer tipo de alergia ou sensibilidade aos pólens - com árvores, flores e borboletas. Ao longe, no horizonte, vês um palácio branco cujos telhados, em pedra branca polida e vidro, luzem com a luz do Sol.
Sentes uma enorme curiosidade em visitar semelhante Éden. Aliás, constatas que o cenário todo é um Éden, pois parece ser perfeito. Preferes chamar-lhe antes Cenário Romântico, pois é o estilo que caracteriza o castelo (ou palácio, não sabes distingui-los muito bem... nem eu, por vezes. Mas, posso garantir-te que este castelo também é um palácio - defende este sítio da possível ganância dos inimigos e serve para acolher a família real) e toda a paisagem circundante.
À medida que vais andando verificas que, apesar de parecer o cenário perfeito, há sempre "pormenores" tristes: a casa da velhinha que tem a cerca danificada - na qual tu paras e ajudas a senhora a arranjá-la, em troca, e depois de muito negares, a senhora oferece-te umas luvas velhas e danificadas de cetim e renda brancos, mas que continuavam belas como se fossem novas - também ajudas a fatigada leiteira a ordenhar as suas vacas e cabras que te dá uma fita longa e branca, que colocas no cabelo...."